sexta-feira, 22 de julho de 2011

Divisão do Pará: frentes dão largada à mobilização

Faltando 144 dias para que os eleitores paraenses expressem, nas urnas, se desejam a divisão do Estado para a criação de duas novas unidades da federação (Carajás e Tapajós), as frentes que vão comandar as campanhas a favor e contra a medida começam a ganhar forma.

Hoje pela manhã serão lançadas, num evento conjunto, as frentes Pró-Estado de Carajás e Pró-Estado do Tapajós. Os contrários à separação também se movimentam. Hoje à tarde será lançado o movimento que dará origem à frente contra a criação de Carajás, no Hotel Crowne Plaza. Ontem, foi feito o registro, em cartório, da “Frente Suprapartidária em Defesa do Pará Unido”, que será presidida pelo chefe da Casa Civil do governo do Pará, Zenaldo Coutinho, até agora o principal porta-voz do movimento antisseparatista. Por enquanto, Coutinho é o representante do governo do Estado oficialmente no movimento antidivisão. Sete dos 17 deputados federais e 17 dos 41 deputados estaduais vão compor as duas frentes que lutarão pela emancipação de Carajás e do Tapajós. O grupo reúne deputados de várias legendas. Fazem parte do movimento, o petista Airton Faleiro, que foi líder do governo Ana Júlia na Assembleia Legislativa; e José Megale, atual líder da bancada do PSDB - partido do governador, Simão Jatene. Os dois têm base eleitoral no oeste do Estado e, apesar de estarem em lados opostos na política partidária do Pará, se uniram na frente Pró-Tapajós.

O lançamento das duas frentes será feito no salão Carajás do Hotel Hilton, em Belém. A coincidência do nome do salão com o de uma das regiões que deseja se emancipar foi motivo de muitas brincadeiras entre os organizadores do evento, que terá como grande estrela o marqueteiro Duda Mendonça. Proprietário rural na região, ele será o responsável pelas peças da campanha pela criação dos Estados. A logomarca será apresentada no evento desta manhã.

O responsável pela Frente Pró-Carajás, deputado federal Giovanni Queiroz, garante que Duda não cobrará pelo trabalho. “Ele fará toda a criação e nós pagaremos apenas pela produção”, disse. Duda Mendonça é um dos marqueteiros mais conhecidos do País. Chegou ao auge da carreira ao comandar a campanha que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002.

O marqueteiro perdeu poder em meio ao escândalo do mensalão. Em depoimento no Congresso, Duda confessou ter recebido dinheiro do caixa 2 de campanha.

A frente contra Carajás está sendo organizada pelo ex-secretário municipal de Saúde de Belém, Sérgio Pimentel. Ele explica que a intenção é criar primeiro um movimento que depois dará origem à frente que vai comandar toda a campanha contra Carajás.

E sobram dúvidas...

A realização do plebiscito ainda está cercada de dúvidas. Sabe-se que haverá quatro frentes oficiais (duas contra a criação dos dois Estados e duas a favor), mas ainda não está claro se apenas parlamentares poderão compô-las.

A essas frentes caberá administrar o tempo da propaganda no rádio e TV e também fazer a arrecadação dos recursos de campanha. Não há detalhes sobre prestação de contas e tempo que cada grupo terá nos veículos de comunicação.

Para tirar essas dúvidas, haverá uma audiência pública no próximo dia 5, no Tribunal Superior Eleitoral. O plebiscito será realizado no dia 11 de dezembro. A campanha nas ruas inicia dia 13 de setembro, e 11 de novembro começa a campanha no rádio e TV.

Embora o Tribunal Superior Eleitoral já tenha anunciado que todos os eleitores do Pará devem votar, a palavra final será do Supremo Tribunal Federal. O texto da constituição fala em área diretamente afetada e há quem defenda que por “diretamente” deve-se entender apenas eleitores das áreas a serem desmembradas.

Cobertura da RBA será plural, diz diretor

A falta de informações sobre as consequências da mudança no mapa que poderá alterar para sempre a história do Pará deve ser um dos principais obstáculos para as frentes que vão comandar as campanhas a

favor e contra a medida.

O desafio é traduzir para a população um amontoado de dados capazes de confundir até mesmo os economistas mais experientes.

Ontem, representantes das frentes pró-Carajás e Tapajós visitaram a sede da Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), empresa da qual faz parte o DIÁRIO. Os deputados defenderam a divisão e pediram para que o jornal mantenha a cobertura equilibrada que vem fazendo.

“O que falta é melhor informação. Separar não é o caso. Nós queremos novas unidades da federação que vão se somar ao Pará para termos uma força política muito maior, mais recursos e atender a uma reivindicação grande que é a presença do Estado em várias regiões que hoje estão abandonadas”, disse o deputado Lira Maia, da Frente Pró-Tapajós. Segundo ele, em até 70 dias serão divulgados novos estudos feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre a viabilidade dos novos Estados.

Representantes do movimento comandado por Sérgio Pimentel distribuíram um documento em que apresentam argumentos contra a divisão.

“Dividir o Pará é uma ideia ilusionista, que revela a falta de um grande projeto de desenvolvimento, não oferece garantias de futuro melhor e parece mais preocupada com projetos pessoais ou de grupos isolados. A população do Pará sabe que não será com uma mudança de nome ou de fronteira que vão melhorar o atendimento à saúde, o ensino, as estradas”.

Aos visitantes, o diretor da RBA, Camilo Centeno, disse que os veículos do grupo vão abrir espaço para que todas as frentes divulguem suas informações.

“Vamos mostrar todos os lados e os diferentes pontos de vista para que as pessoas se informem e para que decidam com responsabilidade”.
Diário do Pará

Divisão do Pará: frentes dão largada à mobilização

Meu comentário no blog do Bogéa

Sou do Pará que remanescerá menor e melhor.

Nasci e moro por estas bandas. Sou plenamente favorável ao redesenho geográfico.

Não tenho dúvidas que os três novos estados ganharão com isso.

Eu preciso de alguns dados, caso tenhas.

Gostaria que me fornecesse algum estudo de economista ou financista público que indique qual será o montante de orçamento dos três novos estados, logo em seguida ao redesenho(divisão) , em comparação com o orçamento do Pará, agora.

Quero isso porque tenho quase certeza que haverá, de imediato, ampliação desse montante, na hipótese de divisão, por diminuição ( redistribuição no repasse da União para os estados) da cota dos demais estados ( sul, sudeste e nordeste).Ou seja, os valores públicos per capta dos moradores dos três novos estados aumentará no dia seguinte.

Não é atoa que a Folha e outros jornais de grande circulação estão antecipando campanha contra a divisão.

Divulgue meu blog criado com a intenção de convencer meus colegas daqui da região metropolitana de Belém e nordeste do Pará

Um grande abraço, e viva os três novos estados!!!!